O Dano
Estava nova ainda,
era confortável de segurar
e fazia bem o que prometia.
O afiado deslizar,
o fácil risco de fazer,
o duro gesto de marcar.
Aquela profunda marca,
a cor que mancha a lâmina,
a triste repetição.
Sentia, sim, dor em fazer,
somente pra disfarçar outra;
sofria pra esconder outro sofrimento.
Cor avermelhada caía ao chão,
com um suave tom no respingar,
crescendo a mancha no chão.
Diferente do que aparenta,
danificava-se para sofrer menos,
danificava-se para não morrer.

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