A tela branca

Notebook desligado,
agora ligando.
Tem que pegar a cadeira.
Procurando inspiração.
Abre o celular? Não.
Livro? Não.
Paisagem? Talvez.
Tomar banho pra aliviar a tensão.
Não pode faltar café.
Digita a senha.
Abre o Blogger.
Analisando paisagem:
céu, pássaros, pessoas,
flores, animais, tempo…
Não, nada.
Pega café.
Amores? Vamos tentar.
Não, não, não…
Tem muito barulho lá fora.
Fecha a janela.
Olha a tela em branco.
Revisita outros poemas.
Não, nada!
Gata pedindo ração.
— Não, tu acabou de comer!
Parede azul.
Teto branco.
Espelho do lado.
— Preciso cortar o cabelo…
Copo de suco vazio.
Mais café.
Pensa mais.
Sentimentos?
Hmmm…
Muita coisa pra dizer,
nenhuma palavra pra descrever.
Horas passando.
Tela em branco.
Messenger aberto.
Nenhuma linha escrita.
No momento em que temos o livre‑arbítrio de dizer tudo, nada sai.
Tanta coisa pra escrever,
tantas versões de um mesmo acontecimento,
tudo sendo afogado,
enfiado numa panela de pressão.
Calor, irritando.
Flor amarela,
faria bem agora.
Já tinha esquecido o poema;
o pensamento estava longe.
Vitamina de abacate com banana —
muito bom.
Faz outra leitura.
Olha a janela.
Vê que o tempo já se foi.
Desligando.
Guardando tudo no lugar.
Amanhã tenta de novo
ter uma boa história pra contar.

Matheus H.

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