O Fusca azul - p02

  Ele estava agitado, então decidiu tomar um chá, e voltou ao anime que já havia planejado assistir. Nisso, ele acalmou-se bastante. Assistiu a uns quatro episódios, até perceber que já estava ficando tarde. Também estava cansado, pois havia trabalhado no dia, trabalhar na cozinha de uma lanchonete não é nada fácil, ainda mais quando há um evento próximo o dia todo.
  No dia seguinte, acordou bem cedo, o que não era um costume dele, mas a ansiedade de ir buscar seu carro não o deixou dormir mais. Como o sono já tinha passado e não havia nada para fazer nas próximas horas, achou melhor ir ao mercado comprar alguns itens para o almoço. Na volta para casa, viu uma caixa em lote vazio, com uma toalha jogada por cima; achou estranho pois não havia visto nada ali na ida. Aproximando-se, ouviu uns chiados: era um filhote de cachorro tentando se aquecer do frio da manhã. Ele olhou rapidamente para os dois lados e viu uma moça indo na direção contrária. Pegou suas sacolas e correu até ela para perguntar se tinha visto quem deixara a caixa ali.
  Ouvindo a pergunta, a moça, que até então parecia apenas pensativa, começou a chorar. Ela explicou que não podia ficar com o cachorrinho, pois tinha alergia, e decidiu deixá-lo ali porque sabia que muita gente passava  por aquele caminho, podendo ser adotado mais facilmente. Ele nunca teve interesse em ter um animal, mas mesmo assim decidiu tirar o filhote das ruas.
  Chegando em casa, deixou as compras sobre a mesa e, olhando para o relógio, percebeu que ainda era muito cedo para fazer o almoço. Porém, sua barriga roncava de fome, e ele lembrou que não havia tomado café-da-manhã por estar ansioso demais para o fim da tarde. Preparou o café com leite e o pão com ovo que ele amava e, quando ia sentar, recebeu uma mensagem da mulher que venderia o Fusca. Ela disse que, por algum motivo, havia acordado muito cedo e viu que ele estava online, então decidiu entregar o carro pela manhã mesmo, para que ele não ficasse tão preocupado e não precisasse esperar tanto.
  O rapaz imediatamente concordou. Terminou o café às pressas e saiu de casa comendo o pão; nem lembrou de apagar as luzes, mas ao menos pegou o celular para fazer a transferência. A primeira coisa que viu ao chegar ao bosque foi a cor azul do seu, ainda não oficialmente seu, Fusca. Caminhou até a dona, cumprimentou-a e fez o pagamento ali mesmo, sem muita conversa. Ele ainda não havia pago completamente o carro, então ela ainda não poderia passar o carro para o nome dele ainda, mesmo assim ele já postava em todas as redes sociais que ele tinha. Naquele momento para ele, se felicidade tivesse uma cor, seria azul!

parte 2 - felicidade em cor
Matheus H.


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