O Fusca azul - p05
Ah, quase nada mudou. O mercado central que ainda fecha ao meio-dia; as vacas no pasto e a grande horta da cidade. Aquela nostalgia bateu forte. Ele via aquela criança correndo com seus amigos em frente de casa, com suas mais diversas brincadeiras. A saudade apertou, fez seus olhos lacrimejarem o fez lembrar quem ele era: dos sonhos que tinha ao sair dali para a cidade grande; das memórias que precisou deixar onde cresceu.
Parou o fusca em frente à sua antiga casinha, e logo atrás o caminhão também estacionou. Não hesitou em abrir novamente sua casa e correu para ajudar a tirar suas coisas do caminhão. Estava tão ansioso que nem percebeu quando o baú esvaziou; ficou procurando mais coisas lá dentro. Surpreso ao ver que havia acabado, agradeceu aos entregadores, fechou a porta de casa e entrou novamente no Fusca, seguindo em direção à casa de seus pais.
Ao chegar, parou em frente à porta e, contendo a emoção, fez uma ligação:
– Alô?
– Alô pai!
– Ô, meu filho, como você está? Ligou mais cedo hoje, né?
– Estou muito bem hoje. E como vai o senhor? E a mãe?
– Eu tô bem. Acabei de terminar o café e tava indo levar pra minha véia. Tá toda preguiçosa na cama.
– Eita pai, bem que ela disse que hoje ia estar folgada, hahaha.
– Hahaha.
– Pai, eu liguei pra vocês, pra dizer que já já vão fazer uma entrega aí. O senhor pega, tá bom? Fui eu que pedi para entregar aí.
Momentos depois da ligação, ele calmante saiu do carro e bateu palmas em frente à porta. O senhor, vendo pela janela da cozinha, repetidamente dizia: – o meu filho tá aqui... o meu filho tá aqui...
Com lágrimas nos olhos por tamanha felicidade, abriu a porta e lhe deu um abraço tão apertado que parecia que nunca mais soltaria. No meio daquele abraço, uma senhora espiou pela porta, tentando entender o desespero do marido – Filho? É o meu filho? – E, muito empolgada, foi correndo, mesmo sem poder, em direção ao abraço de seu filho.
Na rua inteira não cabia tanta emoção que havia ali. Foi um momento tão intenso que parecia que não se falavam há anos, sendo que conversavam todos os dias. Foi um momento realmente mágico e indescritível, até para quem via aquela cena maravilhosa.
parte 5 - entrega surpresa.
Matheus H.

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