A casa branca - p12
A volta não seria mais fácil. Ele teria de atravessar o mesmo bosque, o mesmo jardim, voltar para a mesma casa. Levou as mãos ao rio, molhou o cabelo e o rosto e, por fim, começou a caminhar de volta para casa. Ele voltou com passos que não eram leves nem pesados, nem apresados nem lentos, apenas passos.
Passou pelo bosque, e os sons antes abafados voltaram; o sol, antes encoberto, se mostrava novamente. Com o bosque atrás e o jardim à frente, teve de encarar novamente as memórias. Mesmo sentindo tudo, caminhou até a porta dos fundos, abriu-a e entrou.
Passou pelo bosque, e os sons antes abafados voltaram; o sol, antes encoberto, se mostrava novamente. Com o bosque atrás e o jardim à frente, teve de encarar novamente as memórias. Mesmo sentindo tudo, caminhou até a porta dos fundos, abriu-a e entrou.
Na cozinha, a chef preparava o almoço e estava com um aroma arrebatador. Mais à frente, à governanta limpava os estofados da sala. Ele esboçou um leve sorriso, cansado, soltando o ar como se houvesse voltado de uma batalha. Pegou uma caneca de café com leite e caminhou em direção à escadaria afim de subir ao escritório.
Degrau por degrau, subiu até chegar ao andar superior, onde encontrou a porta de seu escritório fechada. Encarou-a, como quem já sabe o que vai encontrar do outro lado, e a abriu. Ligou a luz, o computador, o monitor, e sentou-se. O barulho da ventoinha girando, o som do teclado, a tela branca esperando uma história ser escrita.
E então, depois de anos, começou a escrever:
"…às vezes histórias não terminam, e não adianta insistir. Esticar algo que não tem mais história para contar acaba por desonrar tudo que já foi contado. Toda a história tem começo, meio e fim e às vezes o fim é no meio. Mas não é de todo ruim, não podemos iniciar novas histórias se nunca encerramos a que estamos contando. Essa história se finda aqui, para que novas histórias venham."
Degrau por degrau, subiu até chegar ao andar superior, onde encontrou a porta de seu escritório fechada. Encarou-a, como quem já sabe o que vai encontrar do outro lado, e a abriu. Ligou a luz, o computador, o monitor, e sentou-se. O barulho da ventoinha girando, o som do teclado, a tela branca esperando uma história ser escrita.
E então, depois de anos, começou a escrever:
"…às vezes histórias não terminam, e não adianta insistir. Esticar algo que não tem mais história para contar acaba por desonrar tudo que já foi contado. Toda a história tem começo, meio e fim e às vezes o fim é no meio. Mas não é de todo ruim, não podemos iniciar novas histórias se nunca encerramos a que estamos contando. Essa história se finda aqui, para que novas histórias venham."
A seta do mouse foi até o menu superior esquerdo: salvar arquivo. Depois, fechar janela.
Ficou uns minutos refletindo, até sair dali e descer para almoçar. Enquanto comia, refletia sobre como havia passado tanto tempo preso a algo que nem estava o prendendo. Logo após, foi até a garagem, pegou o telefone e ligou para sua amiga.
Ficou uns minutos refletindo, até sair dali e descer para almoçar. Enquanto comia, refletia sobre como havia passado tanto tempo preso a algo que nem estava o prendendo. Logo após, foi até a garagem, pegou o telefone e ligou para sua amiga.
– Eu ia ligar para você agorinha – Disse ela.
– Conexão que se diz? – Ele brincou – Bora naquele restaurante, quero te contar umas coisas.
– Só bora. Eu também quero.
Entrou no carro, colocou uma música, olhou para a aliança que ainda usava no dedo, e sorriu.
– Obrigado.
Parte 12 - o sol depois das nuvens

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