A mochila preta - p02

    A chuva, naquele instante, foi o suficiente para surgir uma diversidade de pensamentos involuntários: "Será que fechei a janela?", "Será que vai ter congestionamento?", "E se eu não chegar a tempo?" Ela já não prestava mais atenção na música. Levou a mão até a mochila, abriu o zíper e pegou um pedaço de uma barra de chocolate, deixando-o derreter na boca, fazendo seus sentidos desligarem por um momento.
    E
ntão veio o primeiro túnel, o mais extenso da via. Ali, as conexões caíam; era só o motorista e o eco que o túnel emitia por toda sua extensão. Ela repetia consigo: "vai dar tudo certo." Mas forçava o maxilar e prendia a respiração, sempre se preparando para o pior.
    A tensão só diminuiu quando avistou os primeiros edifícios da metrópole, e as árvores da floresta deram espaço a algumas fábricas e comércios locais. Sentiu como se estivesse chegando na própria casa. Voltou a perceber a música tocando e seguiu a rota indicada pelo aplicativo até encontrar o local onde haveria show.
    Chegou com duas horas de antecedência, porque ela saiu de casa mais cedo demais, ansiosa com medo de perder o horário. Ao menos conseguiu uma ótima vaga no estacionamento, próximo à entrada do evento. Deu um suspiro de alívio e abriu a mochila, procurando o ingresso e carteira. Agora era só esperar. Mas esperar também era um problema.
    Puxou a mochila para o colo, abriu o zíper em busca da carteira e do ingresso, adiantando o processo para quando fosse até a cabine. Mas, por causa das compras feitas mais cedo na conveniência, tudo estava desordenado lá dentro. Revirou e bagunçou tudo ainda mais, e nada do ingresso. Vencida pelo caos, decidiu tirar tudo de dentro para facilitar sua busca. Isso ajudou a encontrar a carteira mas não o ingresso.
    As pupilas dilataram. Uma dor no peito começou a surgir quando ela finalmente notou o fundo da mochila rasgada.
– Não… não, não, não… Onde caiu? Garagem? Elevador? Não, nem peguei elevador. Foi na escada… Não acredito nisso! – disse, jogando a carteira no banco do passageiro.
    E, ao cair, a carteira abriu revelando o ingresso dentro dela. Rapidamente pegou a carteira de volta e apertou contra o peito, ainda trêmula e nervosa, e começou a chorar numa mistura de alívio e nervoso ao mesmo tempo.

Parte 2 - chuva e tensão
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Matheus H.

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