A mochila preta - p06

    Já era quase noite quando saiu do restaurante. Algumas pessoas já voltavam para suas casas e o trânsito começava a ficar intenso. Ir para casa agora seria mais estressante do que encontrar um lugar para passar a noite. Apesar de já ter ido várias vezes à metrópole, ela nunca passeou por lá de verdade, sempre ia havia um destino.
    Encontrou uma pequena pousada perto da rodovia que cortava a grande floresta verde e decidiu ficar ali aquela noite. Passou o dia fora de casa e estava tão exausta que, quando deitou na cama, dormiu como uma pedra, sequer teve tempo de se acomodar direito na cama.
    Acordou novamente no início da tarde. Felizmente não tinha planos, mas perdeu o café da manhã oferecido pela pousada.
– Preciso achar um café ou padaria por perto… e depois quero ir na Casa da Música. Ah, e preciso também dar uma pulo na praia… – Murmurou, planejando tudo o que iria fazer no dia antes mesmo de sair da pousada.
    Encontrou um café e resolveu parar nele para comer e não perder tempo, já que tinha muitos lugares pra visitar. Pediu um café com leite e um pão com manteiga prensado, algo rápido de fazer e comer, e sentou-se no balcão, colocando a mochila no colo para pegar sua carteira. A mochila estava cheia de coisas que ela julgava "super necessárias", mas, por sorte, a carteira estava por cima de tudo, não precisando ter que bagunçar ainda mais o interior caótico.
    Depois de comer, voltou para o carro e seguiu rápido até a Casa da Música, focada e objetiva, seguindo a rota do mapa. Cruzou a avenida do Parque do Grande Lago, onde acontecia um desfile de flores; passou pela avenida das Belas Artes, onde ficava o enorme Teatro Metropolitano e diversos eventos expositivos e culturais; e finalmente chegou ao destino.
    A Casa da Música era enorme, com alas que contavam a história de diversos gêneros musicais, instrumentos, cantores e até oportunidades de cursar lá. Deixou o carro no estacionamento e, novamente, colocou a mochila pesada nas costas antes de ir até a bilheteria comprar uma entrada. Cada passo parecia querer romper ainda mais o rasgo que havia na mochila e estourar o zíper, mas ela não largava. Passou em cada ala observando um pouco de tudo, sem querer ficar muito tempo por ali, pois ainda tinha outros lugares para visitar.
    O dia inteiro foi assim: visitou os lugares com t
empo cronometrado, sem permitir distrações ou desvios de rota, porque ela precisava aproveitar ao máximo o que a metrópole tinha a oferecer. Quando finalmente concluiu sua lista mental, já era quase noite. Foi então que avistou um mirante num grande monte que havia no fim da avenida e decidiu subir até lá.
    No local havia um quiosque de um lado e, do outro, um espaço aberto onde tinha uma bela vista do aeroporto. Estacionou o carro e foi até lá para admirar os aviões. Colocou a mochila no banco, tirou o tênis que passara o dia inteiro raspando no machucado, e sentou-se. Ficou ali por algumas horas, observando, até que a preocupação com o resultado da prova começou a tomar conta e ela parou de prestar atenção na paisagem.

Parte 6 - perfeição descontrolada
Matheus H.

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