A mochila preta - p08

    Ao chegar no estacionamento do hotel, ela estacionou o carro próximo ao dele, e desceram para ir até a entrada principal.
– Pra que tinha que ser o tão alto? – Ela questionou
– Cê vai saber.
    Pararam em frente ao elevador e ela começou a ficar um pouco ofegante, ajeitando a mochila nas costas. Olhou discretamente em direção à escada, cogitando em subir por lá, mas seu amigo lhe deu um banho de água fria quando percebeu, dizendo que ela não iria subir vinte e cinco andares de escada.
    O elevador chegou. Ela se posicionou no fundo, olhando fixamente para o painel dos andares. Quando a porta abriu, saiu primeiro quase como se estivesse fugindo de um perigo invisível. Entraram no quarto e ele mostrou a vista que tinham dali. Ela ficou encantada.
    Ela tomou banho antes dele e se aprontou para dormir. Ambos estava exaustos. No dia seguinte, ela acordou e não o viu na cama dele. Acreditou estar sozinha no quarto, e apertou os lábios, inquieta. Virou-se na cama pra sentir melhor a brisa que entrava pela varanda, e então o viu ali, em pé, olhando para a praia.
– Eu sei que você resolveu me esperar para o café da manhã. – Ela brincou, voltando a relaxar.
– Só não queria que tu pensasse que eu te roubei. – Ele respondeu, rindo.
    Após o café, foram caminhar na orla e sentir a areia da praia. Ficaram conversando e observando os banhistas, as ondas, as nuvens. Depois de algum tempo, ela deu uma esticada na coluna e deitou no banco.
– Minha coluna tá podre.
– É o peso de levar tanta coisa consigo – ele disse, apoiando-se no banco – Você tem que relaxar e dar uma pausa de vez em quando.
– Eu seeei… mas não dá. Preciso estudar e focar em mim.
– É, precisa sim. Seu futuro depende de tu mesma.
– Então…
– Mas fazer uma pausa e relaxar também é focar em você. Se você correr o tempo todo para chegar no destino, nunca vai aproveitar a viagem.
    Ela olhou para ele, ainda deitada, e suspirou. Ele continuou.
– Ninguém precisa estar ligado no 220 o tempo todo, senão a conta de luz vem altíssima. Não é uma corrida contra o tempo, e você não precisa se provar para ninguém. – Ele olhou a mão dela, cicatrizando do corte. – Você não precisa se precaver de tudo, definir cada coisa que vai fazer ou acontecer. Cada vez que faz isso, só esta colocando sobre você o peso de decidir o futuro… e acaba não vivendo o presente. Carregar tanta coisa contigo, pensando que pode ser útil, tem te sufocado mais do que te ajudado, né?
– Cê consegue me deixar sem palavras, hein. – Disse ela, um pouco pensativa.
– Eu sei, eu sei… sou muito bom nisso. – Disse ele, risonho. – É bom que tenha objetivos, mas você não pode deixá-los ser mais importantes do que o seu agora. Permita-se diminuir a velocidade, diminuir o peso, aproveitar a viagem… e respirar um pouco. – Ele se ajeitou no banco. – Bora. Vamos comer. O almoço do hotel já saiu.
    Após o almoço, fizeram o checkout e foram até o estacionamento. Despediram-se com um abraço novamente e cada um foi até o próprio carro. Mesmo assim, seguiram juntos até a cidade onde moravam, ultrapassando um ao outro e buzinando pela rodovia, até se separarem.
    Ela chegou até a portaria do condomínio e acenou para o porteiro, que liberou sua entrada. Enquanto o portão abria, notou na janela da portaria tinha um pequeno fusquinha azul que o porteiro deixava como decoração. Detalhe pequeno, mas que ela nunca se deixou perceber.
    Quando chegou ao apartamento, foi direto para o quarto, ainda estava um caos, com um monte de coisas espalhadas. Pôs a mochila na cama, aliviando o peso das costas.
– Desacelerar, né…

Parte 8 - regulador de tensão
Matheus H.

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