Ainda estou de pé
Estou sangrando mais do que deveria,
suportando mais do que gostaria.
Mas é claro que está tudo bem.
Ainda estou de pé.
Não colapsei.
Ainda não.
Dei gritos que ecoaram,
gritos que você não ouviu.
Abracei o caos e a dor.
Não me corrompi.
E não vou.
Eu sei o que quero.
Eu sei o que sou.
Eu sei o que entrego.
Nunca peguei um trem querendo uma montanha-russa.
É viciante esses altos e baixos que ela entrega,
mas, apesar de também ter trilhos,
não vai a lugar nenhum.
A dor que eu sinto não vai me matar.
Não vai me destruir.
Sinto te decepcionar:
não sou estadia de fim de semana.
Sou moradia.
Sou lar e eu sei disso.
Você sabe disso.
Olho para as cicatrizes,
lembro de cada uma delas.
Sangraram muito.
Não mais.
Nem mais irão.
Se foram.
Mas eu ainda estou aqui e vou continuar.
Não está tudo bem,
mas é isso que me faz saber onde eu quero estar.
Matheus H.

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