O Fusca azul - p04

  Ele provavelmente não voltaria ali tão cedo. Resolveu registrar uma foto com o cachorrinho e postou: "meu novo companheiro". Com o sol já se pondo, olhou no relógio e deixou a praia que o fez tão bem. Entrou no carro e mandou uma mensagem para a mulher que lhe vendeu o Fusca, dizendo que pagaria o restante no dia seguinte, assim que recebesse o pagamento, pois já não iria mais morar ali, então era melhor estar fazendo isso desde então. Marcaram novamente no mesmo bosque, à tarde.
  Ao chegar em casa, recebeu uma mensagem de sua vizinha, que soube que ele colocaria a casa para alugar e comentou que a prima dela estava precisando de um lugar, pois pagava um aluguel muito caro. Ele até se empolgou, pois já teria garantia de renda pelos próximos meses. Aceitou conversar com ela no dia seguinte, mas explicou que precisaria de pelo menos dois dias para organizar suas coisas antes de liberar a casa.
  Amanheceu. Ele já tinha recebido notificações no celular: uma do banco, sobre o pagamento, e outra da vizinha confirmando que a prima dela viria, duas boas notícias para começar o dia. Ligou a TV, resolveu fazer suas as malas e contratar um caminhão de mudanças. Estava planejando ir para casa dos pais, mas lembrou que tinha uma casinha por lá, que estava vazia. Decidiu ir para lá. Ficaria apertado, mas daria para se virar.
  Foi receber o pagamento no banco e encontrou a mulher do carro por lá. Aproveitou para quitar toda a dívida, e transferir o Fusca para seu nome. Ficou surpreso com a rapidez do processo e apenas agradeceu. Antes de findar o dia, a prima da vizinha apareceu, e ele logo a reconheceu: era amiga da sua última namorada. As duas sempre estiveram juntas desde a infância. Ela também o reconheceu e comentou que não o via havia muito tempo, quase dois anos. Ele coçou a cabeça um pouco desconfortável, mas preferiu não falar nada além do valor do aluguel. Aquelas memórias o abalaram novamente, mas dessa vez ele conseguiu segurar as lágrimas.
  No dia seguinte, o caminhão de mudança chegou, e ele já estava esperando. Entregou a chave da casa para a vizinha se e despediu. Ligou seu fusca, colocou uma música, e partiu para estrada. A viagem duraria cerca de duas horas com pausas, mas ele não podia parar dessa vez, pois o caminhão vinha logo atrás. O cachorrinho, no banco de trás, tentava ver tudo pela janela, mas mal conseguia parar em pé.
  Quando ele estava começando a sentir fome, avistou a entrada da vila aparecendo no horizonte. Ter um carro naquela cidade não era muito comum; geralmente se via motos e carroças. Por isso, sua chegada não foi nada anônima.

parte 4 - indo para casa
Matheus H.




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