A casa branca - p01

    Lá fora, o tempo era nublado. O vento fazia as árvores balançarem e as folhas caírem; o mesmo vento que fazia barulho na sua janela era o único som que ele ouvia naquela manhã. O clarão do dia iluminava aquele quarto, mas não o aquecia, pelo contrário, era frio e revelava seu rosto que, mais uma vez, olhava pela janela o movimento da rua.
    Do seu quarto, a vista era privilegiada. Por trás do casarão, havia a bela vista da paisagem natural, com o poder de ver o nascer do sol; por de frente, a também bela vista da paisagem urbana e o poder de ver os belo pôr do sol. As janelas, quando abertas, permitiam deslumbrar toda aquela paisagem, pois elas iam do topo ao chão do quarto.
    Mas aquelas janelas não deixavam a luz entrar completamente. Era barrada pelas longas cortinas, que sempre estavam fechadas, porém sempre com uma fresta aberta. Era de lá que ele via a rua. Como o sol entre as nuvens procurando um espaço para brilhar, ele porém, um espaço para observar. Ele olhava e olhava, procurando algo como se tivesse perdido, algo que outrora possuíra.
    Na rua em frente à sua casa, carros passavam nas diversas cores neutras, com destaque apenas para um carro azul que sempre passava por ali. Ao fundo da cidade, uma árvore amarela se destacava entre um monte de concreto cinza. Um grande prédio, um grande mercado, um vasta cidade, mas nada daquilo era o que ele procurava.
    O vento que fazia barulho na sua janela agora dava espaço para a chuva que acabara de começar. E, assim como o tempo fechou, ele fechou os olhos… e também choveu.

Parte 1 - sol entre nuvens
Matheus H.

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