A casa branca - p03

     Acordou logo cedo e ouviu o cantar de uns pássaros no bosque de um verde vibrante que havia atrás de sua casa. Ainda na cama, virou-se em direção aos sons, onde as cortinas barravam a luz solar de adentrar, impedindo-o de ver aquela linda coloração matinal em que o amarelo dos raios solares se encontrava com o azul infinito do céu. Decidiu levantar-se, mas ficou sentado na cama por uns bons minutos, como se estivesse esperando suas energias recarregarem. A noite parecia não ter sido o suficiente: ele dormiu, mas não descansou. 
    Estava havendo um evento comemorativo na cidade. Por um momento, pensou em não comparecer, mas reconsiderou, talvez aquele evento pudesse trazer luz às suas ideias e assim finalizar a história. Desceu as escadas e pegou seu café da manhã: um suco de goiaba e um sanduíche leve, um menu pensado de acordo com o clima lá fora, coisa da chef. Ele não foi para a sala hoje; comeu ali mesmo, na bancada da cozinha e pôs-se a conversar um pouco com a chef. Ela ficou um pouco surpresa com aquilo, apesar dele ser um patrão que se dava bem com todos os empregados da casa, ele não era de puxar assunto ou estender conversas além do necessário. Algumas histórias saíram daquela resenha entre eles ali até o próprio finalizar, dizendo que iria ao evento na cidade.
     Foi para seu quarto, vestiu-se de roupas neutras e casuais e saiu para o tal evento. Apesar de ser um bom dia para novas ideias e inspirações, o dia não lhe rendeu nada além de frustrações. Chegando próximo ao evento, foi informado que todas as vagas próximas ao local haviam sido ocupadas. Quando finalmente encontrou uma, estacionou. Caminhou até ao grande parque municipal onde ocorriam as comemorações da cidade. O sol estava brilhando radiante, mas o calor que ele estava causando era no mínimo desconfortante; ele já estava se arrependendo de estar ali. O parque, todo enfeitado e colorido, destoava das várias casas e edifícios ao redor, e as pessoas alegres, com roupas de cores vivas, faziam-no destoar ainda mais naquela multidão. Ficou a tarde toda por ali, observando e conversando consigo mesmo sobre o que tanto procurava ali, até que a noite começou a dar as caras.
    Decidindo ir para casa. Foi até a vaga qual deixou seu carro e notou que, infelizmente, havia estacionado por cima de um prego, que causou um pequeno furo que não pode ser notado no momento que saiu do carro. Com uma expressão de desgosto, ficou alguns segundos parado olhando o pneu murcho. Respirou fundo, pegou o celular e pediu um táxi. Sem dizer uma palavra, chegou em casa, foi para o quarto, tomou seu banho e pôs-se a dormir. Não queria viver um segundo a mais daquele dia.

Parte 3 - infelicidade
Matheus H.


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