A casa branca - p04
Naquela noite aconteceu algo que há tempos não ocorria: ele teve um sonho. Nele, o ele estava alegre e contente, era um rapaz apaixonado, e com razão. Ao seu lado estava a a mulher que ele amava, a pessoa mais elegante, inteligente e gentil daquele lugar. Ela sorria feito uma criança descobrindo as sensações do mundo, os pés descalços na areia, misturando-se a água do mar, ouvindo aquele som das ondas se quebrando. Não era somente incrível, era arrebatador. Estavam sozinhos na praia, o sol estava nascendo no horizonte do oceano, o clima estava fresco, tudo cooperando ao favor daquele momento existir. Era tudo perfeito, era tudo muito real… mas era um sonho.
Ao abrir os olhos, lágrimas escorriam por seu rosto numa mistura de felicidade, nostalgia e saudade. Seu sonho não era real, mas tão real quanto em seu sonho foi a mulher que com ele estava. Sentando-se na lateral da cama, limpou seu rosto e ficou olhando para o chão, como quem busca motivos para continuar. Forçou um sorriso que não se sustentou. Forçou novamente e levantou-se, seus olhos miravam nas paredes do quarto que nada tinha além da própria cor e algumas fontes de iluminação. Cortinas fechadas e luzes apagadas, deixavam o quarto mal iluminado. Caminhou até a janela voltada para a rua. Abriu uma fresta da cortina para, novamente, observar a cidade.
Lá fora, o clima estava nublado e ventando, deixando a cidade sem aquele clima caloroso do dia anterior. Não estava frio, mas as nuvens estavam densas e parecia que não iriam embora tão cedo. Seus olhos, ainda avermelhados, procuravam algo naquele amontoado de casas e prédios cinzas, uma cor talvez? Nem ele tinha a resposta. Procurava, mas já não sabia qual era o motivo da sua procura. Ele queria preencher um vazio que não via, mas sentia.
Frustrado, deu com a testa na janela, acertando sem intenção o trinco de ferro, o que cortou sua testa. Não sentiu a dor na hora, mas quando afastou a cabeça, viu a cor vermelha cintilante do seu sangue sobre o trinco da janela descendo suavemente e manchando a cor branca da madeira. Correu para a suíte e, olhando no espelho, viu o corte feito na testa, viu o sangue e, só então, sentiu a dor. No quarto ainda mal iluminado, se escutava o barulho do chuveiro com notas de soluço e choro vindo do único lugar onde as luzes estavam acessas.
Frustrado, deu com a testa na janela, acertando sem intenção o trinco de ferro, o que cortou sua testa. Não sentiu a dor na hora, mas quando afastou a cabeça, viu a cor vermelha cintilante do seu sangue sobre o trinco da janela descendo suavemente e manchando a cor branca da madeira. Correu para a suíte e, olhando no espelho, viu o corte feito na testa, viu o sangue e, só então, sentiu a dor. No quarto ainda mal iluminado, se escutava o barulho do chuveiro com notas de soluço e choro vindo do único lugar onde as luzes estavam acessas.
Parte 4 - doce amargor
Matheus H.

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