A casa branca - p07

    Levantou-se, pagou pelo café e pediu dois refrigerantes. Arrumou o assento no balcão e, em passos silenciosos, fora aproximando-se dela que, imersa em si mesma e na paisagem, sequer notou a presença de qualquer pessoa naquele ambiente que a deixava tão tranquila. Ele se posicionou atrás dela, colocou os refrigerantes sobre o banco, levantou a mão até ombros dela, onde recaiam os cabelos, e, num susto…
– Boo!
    Repentinamente quebrou a imersão dela na paisagem e a fez olhar para trás numa rapidez que ele também se assustou.
– Manoo, cê quer me matar? – Soltou ela, com uma expressão de espanto seguida de alívio imediato ao reconhece-lo.
– Deus me livre, seria incapaz disso.
– Sei…
    Ela se levantou e o abraçou, um abraço terno, carregado de saudades de ambas as partes. Não se viam há alguns meses; apesar de serem grandes amigos, se encontravam pouco.
    Após soltarem o abraço, ela não pode deixar de ver a cicatriz ainda em recente na sua testa, que ele tentou esconder com o cabelo.
– Que foi isso? – Ela perguntou preocupada.
– Um acidente – respirou fundo e continuou – havia um trinco entre a janela e minha testa. – disse rindo.
– Ainda dói?
– Não, mas incomoda.
– Não é da cicatriz que eu estou perguntando.
    Ele ficou sério, olhou para ela e ofereceu um dos refrigerantes, o favorito dela. Ela pegou agradecendo e sentaram-se. Novamente ele respirou fundo e confirmou a dor que ela já sabia que existia.
    Ela sabia o que causara tanta dor nele. Ela também sentia a perda. A mulher dele, a mesma do sonho, havia partido há três anos, e não partiu sozinha. Essa amiga dele fora a única pessoa que permaneceu ao lado dele em todo o processo.
    Ali, sentados, ficaram observando os aviões e mantendo conversas leves, além de colocar em dia esses meses que não se viram. Relembraram planos, sonhos e quão perto estavam deles, e para a surpresa de ambos, ou talvez não, nenhum deles haviam avançado muito para concluí-los.
    O barulho da lanchonete do mirante fechando anunciava o fim do dia. Mesmo o mirante sendo um espaço aberto, decidiram que estava na hora de ir também. No tempo que passaram no ali, ela acabou esquecendo que não havia reservado um quarto de hotel, o que o levou a convidá-la para dividir o quarto com ele, já que era grande e tinha duas camas. Ela aceitou, com a condição de que ele deixaria ela dividir os custos com ele. Ele, apesar de não ser favorável a ideia, concordou.
    Foram até o carro dela no estacionamento do mirante.
– Meu carro, minhas músicas. – E ela colocou a sua banda favorita, enquanto ele ria sem ter o que fazer.

Parte 7 - ternura
Matheus H.

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