A casa branca - p11
Em passos lentos, com o peito apertando e a respiração cada vez mais sufocante, parou diante da porta, repousando a mão sobre a maçaneta. Olhou fixamente para ela, suspirou fundo três vezes e girou-a bem devagar, até ouvir o click da abertura. Repetiu para si mesmo algumas vezes: "Tudo bem. Está tudo bem." Então abriu a porta.
No pequeno jardim dos fundos, à direita, havia uma mesa e dois grandes bancos de madeira; à esquerda, uma churrasqueira embutida. Eram simples elementos no cenário, mas toda a combinação de fatores, como: o dia ensolarado, o cheiro do bosque, a suave brisa que batia; impactou toda a armadura emocional que ele havia criado. Segurou o máximo que pôde, mas tudo transbordou em rios de lágrimas que escorriam pelo rosto.
Aquele lugar fora palco de muitas risadas entre amigos, churrascos, comemorações e piqueniques em família. A memória dela, outrora rindo, leve, feliz ao lado dele; era agora a que mais fazia a ferida interna sangrar. Em passos pesados e lentos, caminhou em volta da mesa de madeira, revisitando as noites que eles ficavam ali olhando as estrelas, as tardes de leitura compartilhada, a voz dela que misturava a gentileza e carisma que ela sempre teve ao lado dele, o olhar profundo e honesto daqueles olhos heterocromáticos.
No pequeno jardim dos fundos, à direita, havia uma mesa e dois grandes bancos de madeira; à esquerda, uma churrasqueira embutida. Eram simples elementos no cenário, mas toda a combinação de fatores, como: o dia ensolarado, o cheiro do bosque, a suave brisa que batia; impactou toda a armadura emocional que ele havia criado. Segurou o máximo que pôde, mas tudo transbordou em rios de lágrimas que escorriam pelo rosto.
Aquele lugar fora palco de muitas risadas entre amigos, churrascos, comemorações e piqueniques em família. A memória dela, outrora rindo, leve, feliz ao lado dele; era agora a que mais fazia a ferida interna sangrar. Em passos pesados e lentos, caminhou em volta da mesa de madeira, revisitando as noites que eles ficavam ali olhando as estrelas, as tardes de leitura compartilhada, a voz dela que misturava a gentileza e carisma que ela sempre teve ao lado dele, o olhar profundo e honesto daqueles olhos heterocromáticos.
Lágrimas caíam ao chão. Por duas vezes caminhou até a porta para desistir, mas resistiu e voltou. Olhou para o bosque, depois para cima, como quem busca uma salvação. Fechou os olhos, ainda lacrimejando, e voltou a olhar o bosque. E foi.
A densidade da mata abafou os sons, encobriu parte do sol e trouxe um clima completamente diferente. Ali era só ele mas, diferente do quarto e do escritório, ali havia vida. Adentrou mais alguns passos na floresta e começou a ouvir o som de água corrente. Ao chegar mais perto encontrou um pequeno rio de águas límpidas. Sentou-se à beira dele e, descalço, colocou as pernas dentro da água para senti-la.
A densidade da mata abafou os sons, encobriu parte do sol e trouxe um clima completamente diferente. Ali era só ele mas, diferente do quarto e do escritório, ali havia vida. Adentrou mais alguns passos na floresta e começou a ouvir o som de água corrente. Ao chegar mais perto encontrou um pequeno rio de águas límpidas. Sentou-se à beira dele e, descalço, colocou as pernas dentro da água para senti-la.
A densidade da floresta silenciou muitos sons, inclusive os que estavam ecoando dentro dele.
"Quanto tempo eu perdi?"
"Quantas histórias eu deixei de contar e viver?"
"Que vida eu estou vivendo?"
Ficou ali por um bom tempo, observando e lendo comportamentos, não como uma análise, mas como compreensão. A natureza é livre. Não tem repetições, rotinas, ou comportamentos forçados. Ela vive porque está viva. Não importa quando tempo passe ou o que aconteça, ela sempre flui.
"Quanto tempo eu perdi?"
"Quantas histórias eu deixei de contar e viver?"
"Que vida eu estou vivendo?"
Ficou ali por um bom tempo, observando e lendo comportamentos, não como uma análise, mas como compreensão. A natureza é livre. Não tem repetições, rotinas, ou comportamentos forçados. Ela vive porque está viva. Não importa quando tempo passe ou o que aconteça, ela sempre flui.
Parte 11 - o rio que não secou

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