A mochila preta - p04
Nem conseguiu dormir direito. Se virava de um lado para o outro, acordando várias vezes no meio da noite com medo de perder a hora, mesmo tendo posto o despertador para tocar. Forçar o sono não adiantava, então decidiu levantar de vez. Sentou-se na lateral da cama e, sem conseguir controlar-se, batia as mãos compulsivamente na coxa enquanto olhava a mochila ainda caída no chão, em meio ao caos que estava aquele quarto. Definitivamente não passava pela cabeça arrumar o ambiente, suas preocupações estavam todas voltadas para o concurso.
Pegou a mochila, e começou a colocar tudo que havia caído de volta lá dentro: cadernos, estojo, carregador reserva, carteira… um monte de coisas necessárias e as desnecessárias também. "Isso aqui pode ser útil para alguma coisa algum dia", "vai que eu acabe precisando" e, com esses pensamentos, só acumulava cada vez mais e mais, aumentando o peso e a dificuldade de fechar e carregar.
Decidiu que levaria o notebook para revisar antes de entrar no local da prova, mas a mochila estava lotada que o zíper não fechava. Ela insistiu, forçou, e o zíper quebrou, machucando sua mão no processo e, novamente, derrubando a mochila ao chão. Isso fez o notebook cair em cheio no seu pé, abrindo outro corte nela.
Ela não podia se importar, não naquele dia. O concurso era mais importante do que algumas feridas. Pegou a mochila do chão e colocou tudo dentro de novo, sem sequer tentar fechar. Penteou o cabelo, trocou de roupa às pressas e colocou um tênis que raspou exatamente sobre o machucado, fazendo arder. Enfiou os cadarços por dentro, sem amarrar.
– Droga, cadê essas chaves? – Chutava as coisas no chão, procurando o único objeto que nunca deixava jogada pela casa. Ao avistá-las, bufou: – Ah, claro! No chaveiro… onde mais taria, né?
Saiu do apartamento mancando e parou diante do elevador, encarando a porta metálica.
– Vai ser mais rápido se eu for por ele – Disse tentando se convencer, forçando o maxilar.
Respirou fundo, mas acabou indo de escada. Sentiu cada raspagem do tênis sobre a ferida em cada degrau dos oito andares que desceu até o subsolo. Chegou ao carro, colocou a mochila no banco ao lado e sentou-se, aliviada da dor por um instante. Marcou a rota no celular e olhou para a hora: chegaria com uma hora de antecedência, o que considerou ótimo, pois daria tempo de revisar.
Regulando a respiração que havia travado desde o elevador, ligou o carro e repetiu mentalmente:
Vai dar tudo certo!
Pegou a mochila, e começou a colocar tudo que havia caído de volta lá dentro: cadernos, estojo, carregador reserva, carteira… um monte de coisas necessárias e as desnecessárias também. "Isso aqui pode ser útil para alguma coisa algum dia", "vai que eu acabe precisando" e, com esses pensamentos, só acumulava cada vez mais e mais, aumentando o peso e a dificuldade de fechar e carregar.
Decidiu que levaria o notebook para revisar antes de entrar no local da prova, mas a mochila estava lotada que o zíper não fechava. Ela insistiu, forçou, e o zíper quebrou, machucando sua mão no processo e, novamente, derrubando a mochila ao chão. Isso fez o notebook cair em cheio no seu pé, abrindo outro corte nela.
Ela não podia se importar, não naquele dia. O concurso era mais importante do que algumas feridas. Pegou a mochila do chão e colocou tudo dentro de novo, sem sequer tentar fechar. Penteou o cabelo, trocou de roupa às pressas e colocou um tênis que raspou exatamente sobre o machucado, fazendo arder. Enfiou os cadarços por dentro, sem amarrar.
– Droga, cadê essas chaves? – Chutava as coisas no chão, procurando o único objeto que nunca deixava jogada pela casa. Ao avistá-las, bufou: – Ah, claro! No chaveiro… onde mais taria, né?
Saiu do apartamento mancando e parou diante do elevador, encarando a porta metálica.
– Vai ser mais rápido se eu for por ele – Disse tentando se convencer, forçando o maxilar.
Respirou fundo, mas acabou indo de escada. Sentiu cada raspagem do tênis sobre a ferida em cada degrau dos oito andares que desceu até o subsolo. Chegou ao carro, colocou a mochila no banco ao lado e sentou-se, aliviada da dor por um instante. Marcou a rota no celular e olhou para a hora: chegaria com uma hora de antecedência, o que considerou ótimo, pois daria tempo de revisar.
Regulando a respiração que havia travado desde o elevador, ligou o carro e repetiu mentalmente:
Vai dar tudo certo!
Parte 4 - novas feridas
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